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Há poucos
dias, numa novela de TV, um industrial teve que vender um prédio que era como
um talismã de sua vida. Obviamente ficou arrasado. No seu ambiente de trabalho,
apareceu sua esposa para lhe fazer companhia naquele final de tarde,
objetivando consolá-lo diante daquela perda financeira. Depois de
ser convencido pela esposa de que ele precisava de sua companhia e de que
naquela tarde nada restava senão a mútua assistência afetiva, e que assim
sairiam para namorar, o industrial olha nos olhos dela e diz mais ou menos o
seguinte: "Perdi o prédio, mas tenho ainda algo que ninguém tira de mim,
que é o seu amor." Diante
desta cena, refletindo sobre o cenário da suposta realidade em que vivemos, na
qual somos induzidos a comprar, a adquirir, a consumir, onde me parece que a
busca ao materialismo supera ao afetivo, veio-me a seguinte pergunta: Se
pudéssemos comprar o amor de uma pessoa, qual seria o preço? Refiro-me
ao amor verdadeiro, legítimo, puro, com cumplicidade, sem as impurezas do
ciúme, da vaidade, da ganância, etc. Você, que
ainda não tem esse amor, quanto pagaria para tê-lo? Você, que já o tem, como o
tem preservado? Essas
reflexões podem colaborar no desenvolvimento de sua pessoa na perspectiva de
uma sociedade familiar. É preciso que possamos compreender as diferenças entre
as relações com o outro, desprovidas de amor, no sentido de preservar e
valorizar algo que o dinheiro não compra. É bem
verdade que o dinheiro pode comprar a companhia do outro, a sua fidelidade
conjugal. Entretanto, aquele sentimento a que me reporto não é disponível no
mercado para compra. O amor
nasce das relações sociais entre as pessoas, cristaliza-se pela afetividade,
diamanta-se no perdão, e eterniza-se na crença de que a união da família é um
dos principais pilares na edificação de uma sociedade mais solidária. O amor
não tem preço. Ele se situa numa dimensão em que o homem ainda não dominou, tal
qual a vida.
Postagem na coluna on-line: junho/2008. Esta publicação
também será veiculada na edição 77 do JC, que será postada no link
CAPA ATUAL |