“Bons pais dão presentes, pais brilhantes dão seu próprio ser.”
Augusto Cury
O Dia dos Pais é uma data dedicada à confraternização, de reconhecer a importância deste pilar na estrutura familiar. É uma bela oportunidade para reconhecer, agradecer, pedir perdão e perdoar. Para uns, ter a oportunidade de abraçar, para outros de lembrar.
Recorro ao livro de Augusto Cury, com o mesmo nome do título deste artigo, para homenagear todos os pais e, em especial, meu saudoso e amado pai.
De todos os meus vários compromissos pessoais e profissionais, de longe o ofício de ser pai é o que mais me honra e me engrandece. E o mais difícil! Você pode se preparar para ser um bom profissional, um bom atleta ou para a execução de um projeto, mas por mais que queira, para o ofício de pai, você nunca está perfeitamente preparado. É muita responsabilidade, e nem existe um manual de instruções!
Mas no meu caso, tive o privilégio de aprender com exemplos do meu pai. Aliás, se as virtudes de um bom pai podem ser ensinadas, acredito que são mais pelos exemplos do que pelas palavras. E assim foi meu pai, ensinava com exemplos.
De acordo com Cury, a pessoa quando vai ter filhos não se forma, se diploma na tarefa de educar. Ninguém sabe tudo, aprende-se a educar, educando. Diz-se que “a vida é uma grande escola”, porém, ela pouco ensina àqueles que não aprendem ler a realidade que os cercam.
Meu pai, Jorge Gabriel Moisés, nasceu em Ipameri-GO, filho de imigrantes árabes, perdeu a mãe quando criança e o pai quando ainda jovem. Mesmo nas dificuldades, sempre esteve de bem com a vida. Se “o que a gente leva desta vida é a vida que se leva”, meu pai levou consigo muitos sinceros amigos, uma enorme cultura, e vários momentos de alegria vivenciados com sua família, deixando, é claro, muitos ensinamentos e uma enorme saudade.
Juntamente com minha mãe, Cleusa Marques, uma incansável mulher, transmitiram aos três filhos os valores para a construção de uma bela família, baseada principalmente na tolerância, na simplicidade, na generosidade e do trabalho, que formam hoje a herança de valor incalculável a ser mantida e repassada aos nossos filhos.
Como professor, tenho falado e escrito sobre a importância do ensino formal para juventude. Mas acima do ensino das escolas, está a educação obtida nos lares. Tive o privilégio de ter bons professores e de frequentar boas escolas, contudo a benção maior que tive foi de ter sido criado em lar harmônico, guiado por um sábio pai.
Entre várias outras atividades, meu pai foi procurador de Justiça e professor. Não tive a honra de ser aluno dele (apesar que estar cursando Direito na UCG numa mesma época em que ele era professor daquela instituição), mas sei que era muito querido pelos alunos, tanto que sempre era homenageado nas festas de formatura. Contudo, tive privilégio maior, ser seu aluno da vida.
Mais uma vez tomando os ensinamentos de Augusto Cury, pais brilhantes são verdadeiros semeadores de ideias morais, sentimentos nobres e virtudes. Exemplificam no dia-a-dia qualidades que devem construir o caráter, moldar a personalidade dos filhos e não simples controladores dos mesmos.
Pais brilhantes são também aqueles que cruzam suas histórias com as dos próprios filhos. Meu pai sempre soube que não bastava dar apenas o conhecimento lógico, uma boa escola, comprar brinquedos e roupas; os filhos precisam da história dos próprios pais, do coração emocional, muito mais que o material.
Sei que meu pai lia Augusto Cury (é difícil haver um bom escritor que ele não tenha lido), mas os ensinamentos repassados pelo autor serviam apenas para confirmar que o comprometimento com a família e a educação é o caminho certo para a formação de pessoas e de um mundo melhor.
Neste meu primeiro ano de Dia dos Pais sem a presença física dele, manifesto minha eterna gratidão ao meu brilhante pai e fascinante professor.
Parabéns a todos os pais, professores da vida.
Postagem na coluna on-line: agosto/2010. Esta publicação também será publicada na edição 102 do JC |