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SAÚDE DO CORAÇÃO
DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA
16-11-2017 01:11:17
Bullying mais doença mental e acesso a armas de fogo podem dar em tragédias inomináveis

O atentado com vítimas fatais e sobreviventes no Colégio Goyases, de Goiânia, é mais um daqueles episódios trágicos que trará muitas discussões, opiniões, debates e propostas sobre diversas questões enfrentadas pelas famílias e sociedade. Como registro para futuras leituras: nessa escola de ensino fundamental, um garoto do 8º Ano, 13 anos de idade, sofria chacotas, desdém e injúrias verbais; como de todos sabido, um assédio denominado bullying, até que no dia 20/10/2017, essa vítima de “assédio moral” entra para uma aula normal portando uma arma de alto poder letal. Ele atira pontualmente no autor dos repetidos bullyings e em outros companheiros de classe, com dois mortos imediatos e mais quatro feridos. São relatos testemunhais de colegas da escola. A direção do colégio, por questão de justiça de informação, nega ter recebido essas informações de bullying sofrido pelo agressor.

O que se tem de concreto até então, de informações concordantes, de amigos e imprensa, é que o autor do atentado sofria injúrias verbais e menosprezo de alguns colegas de classe. E mais, segundo informes de testemunhas do convívio, que o agressor verbalizara sinais e sintomas de provável distúrbio psíquico e/ou psiquiátrico. São hipóteses para futura elucidação diagnóstica.

Três são as questões que podem ser trazidas à baila para debates e propostas de minimização e/ou solução. 1-Bullying em escola e em outros espaços de convivência; 2-transtornos (doenças) mentais; 3-disponibilidade e/ou porte de arma de fogo.

O bullying (do inglês to bully, tiranizar, oprimir) tem sido recorrente nos espaços de convivência, sobretudo nos ambientes escolares. É também muito praticado na internet e nas redes sociais (ciberbullying). No ambiente virtual são empregados os chamados memes, imagens nocivas e xingamentos. São agressões da mesma natureza do racismo, injúria étnica e preconceito contra as minorias, como exemplo, pessoas dos grupos LGBTI e algumas religiões.

No ambiente escolar tal forma de assédio moral deve ser coibida pelo corpo docente das próprias escolas. Missão pedagógica que cabe a professores (as), coordenadores (as) e monitores (as). Tal expediente deve ser adotado com todo rigor através de reuniões, com a presença de vítimas e agressores, no sentido de pacificação, orientação moral e ética aos envolvidos e proibição de qualquer expressão, gesto ou objeto injuriante. Outra exigência determinante é a comunicação de tais injúrias às famílias de vítima e agressor no propósito de cooperação e cessação de toda forma de agressão física e verbal. O que fica claro e patente é que tanto professores e pais nunca podem subestimar e negligenciar ante os comportamentos e denúncias de bullying. Por isso dá-se ênfase no diálogo permanente de pais e professores com os alunos.

Outra realidade de uma prevalência significativa se chama doenças mentais. Elas têm um espectro grande e variável e algumas de prognóstico grave e incurável. Como exemplos, os transtornos de ansiedade que atingem em torno de 20% das pessoas. A ideação suicida, também grave e crônica, mas tem tratamento e cura. As esquizofrenias, que acometem 1,2% das pessoas. Estas doenças (esquizofrenias) não têm cura, exigem rigoroso tratamento com psicotrópicos e vigilância das famílias e/ou cuidadores (curadores). Nessa estatística, têm-se em Goiânia, cerca de 15 mil pessoas acometidas dessa grave psicopatia. A cada 100 pessoas que se encontra, tem-se ao menos uma com a doença.

Uma questão extremamente melindrosa e grave é o preconceito e a negação da família em relação aos sinais premonitórios (iniciais) indicativos das doenças mentais. Os pais ou responsáveis são os primeiros na demora e nas negativas em admitir e procurar ajuda diante de um filho com as primeiras manifestações de qualquer transtorno psicológico ou psiquiátrico.

Trata-se de uma realidade tão grave que não tem sido incomum fazer-se o diagnóstico após um episódio de desatino ou tragédia como são os casos de tentativa ou cometimento de suicídio, de homicídio e crimes passionais. O estigma e a segregação que as doenças mentais provocam levam a essa omissão e negação por parte de pais e familiares desses pacientes.

A questão da participação das armas de fogo. Toma-se como exemplo os Estados Unidos. Lá, em muitos Estados, todos podem portar a arma que puder comprar, inclusive as de guerra, como metralhadoras e fuzis. Já se têm estudos no próprio País que apontam: os Estados com mais liberdade ao acesso a essas armas letais são os de maior número de homicídios, suicídios e atentados em massa (colégios, shoppings, shows).

No Brasil, o estatuto do desarmamento, criado em 2003, tem sido tanto infrutífero quanto estéril. Talvez pior ou mais nocivo do que antes porque desarma as pessoas honestas e responsáveis, mas, não se tem os mesmos efeitos e resultados para os criminosos. Além do que há uma cultura no Brasil de muitas leis não surtir a eficácia esperada e a prática do jeitinho ilícito e desonesto de ser. A clandestinidade e a pirataria andam de mãos dadas nessas circunstâncias. As armas de fogo entram no País por todas as fronteiras. Que bem o atestam sobre essa triste realidade o crime organizado do Rio e de São Paulo.

Assim ficam postas com as devidas propostas, essas três realidades: bullying, transtornos mentais e armas de fogo. Cada uma tem sua dramaticidade peculiar e sujeita a tragédias. Imaginemos então a convivência ou coexistência de pessoas vítimas ou autoras de bullying, de doenças mentais mais o acesso ou porte de arma de fogo. São associações mais do que danosas, irracionais e com alto poder de tragédias e de fatos e feitos que deixam famílias e sociedade aturdidas e consternadas em só de ouvir e ver imagens dos horrendos crimes perpetrados por autores em crises de ódio e surtos psicóticos.

Se uma dessas três condições já tem um alto potencial de conflitos, de destruição e molestação da pessoa atingida, imagine a conjugação de duas ou todas no mesmo ambiente de convivência. Por isso se alerta: - Bullying, transtorno psiquiátrico mais acesso a arma de fogo podem resultar em tragédias inomináveis. Cabe às famílias, educadores, sociedade e Estado uma profunda reflexão sobre tais questões e criar expedientes e diretrizes na prevenção desses eventos que amedrontam e ameaçam todos nos seus espaços de convivência, como são escolas, casas de entretenimento e participação coletiva.

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas - Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) - Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia. Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jjoaquim.blogspot.com.br

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