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ESTADUAIS
05-09-2010 19:09:14
Assassinato de Divaldo Rinco - Líderes políticos cobram punição a autor de crime



Marconi (com o deputado Iso Moreira [PSDB]), diante do
caixão de Divaldo Rinco, que coordenava a campanha
do governadoriável no Nordeste

 



Prefeito era um dos responsáveis pela elaboração do
plano de governo de Marconi para a região

 



Iso e, os senadores Lúcia Vânia (PSDB) e Marconi na despedida -
Mais fotos, abaixo. Nota da Redação do JC: tais fotos
não foram veiculadas pela reportagem de O Popular

 

Marcado pela supremacia de autoridades políticas estaduais do PSDB e do DEM, o enterro na manhã de ontem do prefeito de Alto Paraíso, Divaldo William Rinco (PSDB), de 50 anos, morto a tiros na noite de quinta-feira, na porta de um bar local, aconteceu no cemitério municipal depois de um cortejo acompanhado por cerca de 2 mil pessoas, pelas principais ruas da cidade. Candidato ao governo do Estado, o senador Marconi Perillo (PSDB) chegou ontem pela manhã acompanhado de comitiva.

O governador Alcides Rodrigues (PP) não compareceu ao enterro e também não enviou representante. Marconi falou no velório em nome dos senadores presentes, Lúcia Vânia (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM). Estavam presentes também prefeitos de cidades da Região Nordeste do Estado.

Em seu discurso no ginásio em que o corpo era velado, Marconi enfatizou o peso político de Divaldo na região, além dos seus projetos que visava por em prática, sendo um dos coordenadores políticos da campanha de Marconi.

“Eu conversei muito com Divaldo esse ano e ele me entregou um plano de governo completo para a Nordeste. Almocei com ele há 15 dias na minha casa e de dez palavras que ele falava, oito eram Chapada (dos Veadeiros) e duas, Alto Paraíso”, ressaltou o tucano.

O senador também fez menção ao acirramento político exacerbado no Estado, fator apontado como principal motivação no assassinato, cujo autor é apontado como sendo o marceneiro Ari da Abadia Garcês, de 55 anos, pai do vereador Ueberton, de 24 anos, e aliado a um grupo adversário desde a campanha municipal de 2008, vencida por Divaldo deforma apertada.

“Espero que a repercussão desse caso sirva de lição para pessoas que não sabem lidar com derrotas na política. Elas acontecem e fazem parte do processo eleitoral também”, salientou Marconi.

Demóstenes Torres (DEM), por sua vez, ressaltou a necessidade de punição para os responsáveis da morte do prefeito. “Um caso assim não pode passar impune e quem fez deve pagar pela barbaridade, para que casos semelhantes não se repitam”, reforça.

A alegação de Demóstenes para uma punição imediata fez-se latente no crime em questão já que o próprio marceneiro Ari, que se encontra foragido, teria anteriormente ameaçado de morte o secretário de saúde do município, Adervânio Pires Monteiro, também tendo como pano de fundo motivações políticas.

O próprio secretário conta que era responsável, ao lado da mulher, pela organização da festa do Divino Pai Eterno e vetou que Ari Garcês utilizasse um trio elétrico do deputado estadual Cláudio Meirelles (PR), candidato à reeleição, na festa. “Trabalhava ao lado de um assistente quando ele me chamou para uma conversa. Afastado, ele sacou a arma e chegou a engatilhar, mas disse que não ia me matar em consideração à milha mulher e as duas filhas, que são amigas de familiares dele”, contou Adervânio.

Ele também garantiu que procurou a delegacia mais de uma vez para formalizar a queixa, mas não foi atendido pela delegada Simelli Santana, que agora investiga o assassinato, devido à greve da Polícia Civil. A delegada, por sua vez, admite que Adervânio foi à delegacia durante a greve, mas que, em julho, encontrou com o secretário na prefeitura e sugeriu que ele voltasse a fazer a denúncia, e não foi procurada.

No final da manhã de ontem, após o enterro, os vereadores do município se reuniram na Câmara de Vereadores para formalizar apoio ao atual prefeito Álan Barbosa (PSB), de 48 anos. Ex-vereador de Alto Paraíso e vice-prefeito de Divaldo, Álan diz que espera dar continuidade ao trabalho que era desenvolvido por seu correligionário (Transcrito, sem adaptações, do jornal O Popular (Goiânia-GO) - João Gabriel de Freitas, desta data - 05/09/10. Leia mais, abaixo).

 



Momento de oração no velório. José Eliton (DEM) (atrás dos
senadores), candidato a vice-governador, é da
região e também compareceu

 



Marconi externa mensagem no interior do ginásio,
onde corpo do prefeito foi velado

 

 

Motivação política provocou outros crimes

 

O assassinato do prefeito Divaldo William Rinco (PSDB) faz lembrar uma série de homicídios ocorridos com motivações políticas nas regiões Nordeste e Entorno, historicamente marcadas pela violência. Entre crimes que ganharam maior repercussão na mídia, estão assassinatos em Formosa, Sítio D’Abadia e Monte Alegre.

O caso mais recente, também provocado por rixa política, aconteceu em Sítio D’ Abadia, em 2006. A disputa de poder entre PSDB e PT, provocada por uma denúncia de compra de votos nas eleições de 2004, acabou em morte.

O acusado era o ex-prefeito da cidade, João Oliveira Reis, pai do então prefeito Kesser Vieira Reis, do PSDB. Ele teria matado o militante petista Francisco Feitosa. A discussão ocorreu em um supermercado de propriedade do acusado.

A troca de acusações ocorria entre um dos funcionários e Feitosa, quando o pai do prefeito teria tomado a arma da mão do funcionário e disparado contra a vítima. O crime trouxe à tona uma divergência que já tinha se estendido para a Justiça.

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás havia determinado nova eleição municipal, por acatar a denúncia de compra de votos por parte do prefeito tucano. Mas a decisão caiu no Tribunal Superior Eleitoral, acirrando os ânimos na política local.

Em 1999, o então prefeito de Monte Alegre, José da Silva Almeida, que estava filiado no PPB, foi morto a tiros no momento em que atendia um chamado de campainha em sua casa, por volta de meia noite. Segundo relatos da época, o suspeito de serem os mandantes do crime era o vice-prefeito Antônio Pereira Damasceno (PSD) e do então secretário de Finanças de Monte Alegre, com o objetivo de roubar repasses do governo estadual para o município.

Em 1996, o ex-prefeito de Formosa Jair Gomes de Paiva foi condenado a quatro anos em regime aberto pelo assassinato de um militante petista, ocorrido em 1990. Segundo a versão acatada pelo Tribunal de Justiça de Goiás, o então prefeito da cidade estava discursando em um comício quando teria sido xingado pelo adversário político.

Jair desceu do palco e disparou quatro tiros contra o adversário.

EmbateEm razão dos fortes indícios de motivação política no crime de Alto Paraíso, PSDB e PP divulgaram notas oficiais sobre o crime. O PSDB diz que o fato “coloca a disputa eleitoral em níveis jamais vistos no Estado”, ressalta que “evita fazer pré-julgamentos”, mas destaca que o suspeito é "cabo eleitoral do candidato ao governo Vanderlan Cardoso [PR]” e “ligado ao grupo político do ex-prefeito (de Alto Paraíso) Uilter Gomes [PP]”.

Já o PP afirmou em nota que “mentir, denegrir e desrespeitar o próximo, tripudiando sobre a dor alheia, como fazem o PSDB e seu candidato ao governo, não são comportamentos e atitudes de um líder”. O partido sugere que tucanos usam “o luto de alguém como chicote para atingir a honra de um adversário” e finaliza pedindo bênçãos para a família de Divaldo (Núbia Lôbo). 

Uruaçu 05/09/10 - (Da Redação, com fonte citada)

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